Sua empresa pode estar gastando 1 a 3% da receita com impressão

Sua Empresa Pode Estar Gastando 1 a 3% da Receita com Impressão

Estudos de mercado da Gartner e do IDC indicam, há mais de duas décadas, que empresas costumam gastar de 1% a 3% da receita anual com impressão — e o intervalo persiste porque o gasto vive pulverizado em várias linhas.

Sua Empresa Pode Estar Gastando 1 a 3% da Receita com Impressão (e ninguém percebeu)

Sumário

Este artigo mostra de onde vem esse benchmark, como o número aparece em estudos da Gartner, do IDC e da Quocirca, e por que CFO, gestor de TI, gestor de Facilities e Compras enxergam realidades diferentes a partir do mesmo percentual. Veremos também como traduzir o intervalo em reais, como interpretar o cenário brasileiro frente à referência global, e como a LGPD entra na conta como mais uma linha do custo total de propriedade da impressão corporativa.

O que significa gastar de 1 a 3% da receita com impressão

Antes de discutir economia, política de impressão ou outsourcing, vale começar por um número-âncora amplamente citado no mercado. Estudos de consultorias internacionais especializadas em tecnologia indicam que empresas tendem a gastar entre 1% a 3% da receita anual com impressão. Esse intervalo cobre o conjunto do gasto — não apenas papel e toner, mas tudo o que faz uma página existir e percorrer a operação até chegar à mão de quem precisa dela.

O intervalo funciona como espelho de diagnóstico: serve para o gestor olhar a própria conta e fazer uma primeira pergunta executiva — “minha empresa está dentro, no topo ou já fora dessa faixa?”. A resposta não vem de uma planilha exata neste momento. Vem da combinação entre o reconhecimento do tamanho do problema e a maturidade da governança de impressão dentro da organização.

De onde vem o número (origem e estudos)

O benchmark de 1% a 3% aparece em estudos da Gartner Group sobre gestão de frotas de impressão e em pesquisas mais recentes da Gartner sobre Managed Print Services, mercado que a consultoria acompanha por meio do Market Guide for Managed Print Services e do Magic Quadrant for Managed Print and Content Services. O IDC (International Data Corporation), que mantém cobertura específica do mercado brasileiro de impressão, replicou e ampliou esse benchmark em diversos relatórios setoriais. A Quocirca, empresa de pesquisa especializada em mercado de impressão, atualiza periodicamente a leitura no relatório Managed Print Services Landscape.

A convergência entre essas três fontes é o que dá ao número sua reputação: ele não vem de uma promessa de fornecedor, mas de pesquisa independente, repetida ao longo de mais de duas décadas. Por isso continua sendo a referência mais citada quando o assunto é gasto corporativo com impressão.

Por que o gestor médio não enxerga esse gasto

O motivo pelo qual o benchmark é uma novidade para muitos gestores é simples: a empresa raramente tem uma linha chamada “impressão” no DRE. O gasto se espalha em pelo menos seis lugares contábeis distintos:

  • Suprimentos (toner, tinta, peças de reposição).
  • Manutenção e contratos técnicos.
  • Energia elétrica do parque de equipamentos.
  • Tempo de equipe de TI dedicado a chamados de impressora.
  • Horas-homem perdidas em filas e impressoras paradas.
  • Logística, espaço físico e descarte.

Sem uma visão consolidada, cada uma dessas linhas parece pequena. Somadas, alcançam o intervalo de 1% a 3%. Por isso a primeira batalha da gestão de impressão raramente é técnica — é de visibilidade.

Traduzindo o percentual em reais: e na sua empresa?

O percentual fica abstrato sem tradução. Para dar dimensão ao intervalo, observe como o mesmo benchmark vira valores muito distintos conforme o porte da empresa:

Receita anual da empresaIntervalo de gasto provável com impressão (1% a 3%)
R$ 5 milhõesEntre R$ 50 mil e R$ 150 mil
R$ 20 milhõesEntre R$ 200 mil e R$ 600 mil
R$ 100 milhõesEntre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões
R$ 500 milhõesEntre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões

Atenção: esse exercício serve como dimensionamento ilustrativo. O gasto real depende do volume mensal de páginas, do tipo de operação, do nível de governança e de variáveis que veremos adiante. O que o intervalo deixa claro é que mesmo no piso (1%) o gasto raramente é desprezível em valores absolutos.

PME × grande corporação: o mesmo intervalo, leituras diferentes

O benchmark é o mesmo, mas a posição dentro dele tende a variar com o porte. Em geral, empresas menores tendem a se aproximar do topo do intervalo (3%) porque ainda não consolidaram fornecedores, raramente medem o gasto e absorvem o custo da variação cambial via reposição constante de suprimentos. Grandes corporações, com programas estruturados de gestão de impressão, costumam migrar para a metade inferior do intervalo. Não é uma regra rígida — é uma tendência observada em estudos de mercado e em pesquisas como o relatório Quocirca MPS Landscape.

1% a 3% da receita: muito ou pouco? Como esse gasto se compara a outros custos corporativos

Para o decisor médio, um número solto vale pouco. Vale mais a comparação. A faixa de 1% a 3% está na mesma ordem de grandeza de várias linhas que já contam com governança bem estabelecida nas empresas:

  • Gasto típico de TI: a referência da Gartner para muitos setores está entre 2% e 5% da receita.
  • Gasto típico com energia elétrica: varia bastante por setor, mas frequentemente fica entre 1% e 4%.
  • Gasto com marketing em empresas B2B: tipicamente entre 5% e 10%.

A leitura executiva é direta: se o gasto com energia e com TI mereceu, há anos, política, governança e contratos consolidados, é razoável esperar o mesmo tratamento para uma linha que ocupa a mesma ordem de grandeza no orçamento. A diferença é que a maioria dos comitês financeiros nunca recebeu a soma agregada do gasto com impressão.

Como cada decisor lê o mesmo número

Os quatro perfis decisores deste artigo — CFO, TI, Facilities e Compras — olham para o mesmo intervalo de 1% a 3% com lentes diferentes. Reconhecer essa diferença é parte do diagnóstico inicial.

Para o CFO: o benchmark como tese executiva

Para o diretor financeiro, o intervalo é um dado de gestão de despesa. A pergunta executiva é se a empresa tem clareza do gasto consolidado e se essa consolidação justifica um exercício de redução estruturada. O CFO em geral compara o gasto com impressão a outras linhas administrativas para definir prioridade — e é aí que a comparação com TI, energia e marketing ajuda a justificar internamente o esforço de mapeamento.

Para o gestor de TI: a porcentagem é apenas a ponta visível

Para o TI, o intervalo costuma subestimar a percepção real: o tempo da equipe consumido em chamados de impressora raramente é contabilizado de forma direta. Cada chamado representa horas que não vão para projetos estratégicos.

Para Facilities: energia, espaço e descarte entram na conta

Para a área de Facilities/Administrativo, o gasto se materializa em consumo elétrico, espaço físico ocupado pelos equipamentos, ruído, ventilação adequada e logística de descarte de cartuchos e papel. Esses custos indiretos raramente entram no cálculo de impressão por página, mas pesam no orçamento operacional.

Para Compras: variação cambial e fragmentação de fornecedores

A área de Compras lê o intervalo a partir de um ângulo distinto: a maior parte dos suprimentos de impressão (toner, peças, cartuchos) depende de cadeia de fornecimento internacional e variação cambial. A pulverização do gasto entre fornecedores — cada departamento comprando seu próprio cartucho, cada filial com contrato local — tende a empurrar a empresa para o topo do intervalo. Consolidação contratual é, do ponto de vista de Compras, a alavanca mais imediata.

O iceberg de custos: por que 5% visível e 95% oculto

Estudos de Total Cost of Ownership (custo total de propriedade) aplicados à impressão repetem uma lição clássica: o preço de aquisição do equipamento representa cerca de 5% do gasto total ao longo da vida útil. Os outros 95% se acumulam em consumíveis, energia, manutenção, suporte, tempo da equipe, depreciação e descarte.

Essa proporção é o que faz da decisão de compra um ponto frágil quando isolada. Olhar só para a etiqueta da impressora é como olhar só para a ponta do iceberg — o resto do custo está embaixo da linha d’água.

A contextualização Brasil: como ler o benchmark globalmente válido aqui

O intervalo de 1% a 3% é uma referência global, mas a leitura brasileira tem variáveis próprias. O IDC Brasil mantém cobertura específica do mercado nacional de impressão corporativa, publicando dados regulares de vendas por porte e tipo de equipamento. Esses dados confirmam que o mercado corporativo brasileiro segue ativo e relevante mesmo após a maturidade da agenda digital.

Variáveis brasileiras que tendem a empurrar o gasto para o topo do intervalo:

  • Câmbio: a maior parte do suprimento (toner original, peças, sensores) é indexada ao dólar.
  • Logística: distância entre filiais e regiões aumenta o custo de manutenção e reposição.
  • Consolidação ainda baixa de fornecedores, especialmente em PMEs, com compras dispersas.
  • Maturidade variável de governança de impressão, com poucas empresas medindo o gasto antes de contratar.

Para referência institucional sobre despesas operacionais de empresas brasileiras, a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do IBGE é a fonte oficial que captura o universo das despesas administrativas onde a impressão se encaixa.

Mais uma dimensão: o custo regulatório da impressão (LGPD)

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) aplica-se ao tratamento de dados pessoais em qualquer suporte, físico ou digital. Isso inclui documentos impressos, esquecidos em bandejas, descartados sem fragmentação ou processados em equipamentos vulneráveis. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publica orientações sobre medidas técnicas e administrativas mínimas — e a impressora corporativa entra no escopo dessas medidas.

Estudos da Quocirca apontam que organizações relatam incidentes de segurança relacionados à impressão em escala significativa. Para o gestor, isso significa que o custo regulatório é uma linha adicional do TCO de impressão. Multas, notificações e remediação fazem parte do mesmo cálculo.

3 sinais executivos de que seu gasto provavelmente está no topo do intervalo

Sem fórmula nem planilha, três sinais costumam indicar que a empresa está mais próxima de 3% do que de 1%:

  1. Não existe relatório consolidado mensal de quanto a empresa imprimiu por departamento. Sem medida, não há gestão — e sem gestão, o gasto tende a subir.
  2. Suprimentos são comprados de forma fragmentada, sem contrato corporativo nem padronização de modelo de equipamento entre filiais. Compras pulverizadas pagam preços de varejo e absorvem oscilação cambial.
  3. Chamados de impressora ocupam parte relevante do tempo da equipe de TI. Quando o helpdesk passa horas por semana resolvendo impressora, o custo invisível já é alto.

O próximo passo: de diagnóstico inicial a cálculo real

Reconhecer o intervalo é o primeiro passo. O passo seguinte é traduzir essa percepção em números próprios: medir volume, calcular custo real por página e somar o gasto direto e indireto.

Conclusão Final

O benchmark de 1% a 3% da receita anual com impressão é, sobretudo, um convite ao diagnóstico. Ele não afirma que sua empresa está nessa faixa; ele dimensiona um problema que, em geral, vive invisível dentro das organizações. O número vem de pesquisas consolidadas há mais de duas décadas e aparece em estudos da Gartner, do IDC e da Quocirca. Sua função, na leitura executiva, é dar ponto de referência para responder uma pergunta simples: “minha empresa olha para esse gasto com a mesma seriedade com que olha para outras linhas da mesma ordem de grandeza?”. Quem responde “ainda não” tem ali a justificativa para iniciar o mapeamento.

Análise Profissional

Na operação prática, observa-se que o intervalo de 1% a 3% é tratado como referência confiável por gestores de TI, Facilities, Compras e Financeiro que iniciam um processo estruturado de governança de impressão. A diferença entre as empresas que se aproximam do piso e as que orbitam o teto raramente está no preço do toner — está na visibilidade do gasto agregado e na consolidação de governança. Quando a organização passa a ter dado mensal consolidado, política de impressão definida e contratos integrados, o gasto tende naturalmente a se reposicionar dentro do intervalo. O caminho não é uma promessa, é um processo de maturidade.

Perguntas frequentes

O benchmark de 1% a 3% se aplica a qualquer porte de empresa?

Em geral, sim — o intervalo é a referência mais citada em estudos de mercado para empresas de diversos portes. A posição dentro do intervalo, porém, varia: PMEs tendem ao topo (mais próximas de 3%) por questões de governança e fragmentação de fornecedores, enquanto grandes corporações com programas estruturados costumam ficar na metade inferior.

O benchmark inclui impressão de produção (gráfica interna) ou apenas escritório?

O benchmark consolidado historicamente refere-se a gasto de escritório (impressão administrativa, documentos, relatórios), não a impressão industrial ou gráfica de produção. Empresas com gráfica interna avaliam essas linhas separadamente, pois a economia é distinta da impressão administrativa.

O benchmark se atualizou com a redução do volume impresso pós-pandemia?

O volume médio de impressão caiu em muitas organizações desde 2020, mas o gasto não caiu na mesma proporção: custos fixos de manutenção, segurança e infraestrutura permaneceram. Estudos da Quocirca acompanham essa transição. O intervalo de 1% a 3% segue sendo a referência mais citada para o gasto agregado.

Como saber em que ponto do intervalo minha empresa está sem fazer o cálculo completo?

Sem o cálculo completo, é possível usar sinais executivos como os apresentados ao longo deste artigo (ausência de relatório consolidado, compras fragmentadas, tempo elevado de TI em chamados de impressora). Esses sinais não substituem o cálculo, mas indicam a faixa provável.

Existe um benchmark específico para o Brasil?

O IDC Brasil acompanha o mercado nacional com dados próprios, e a Pesquisa Anual de Serviços do IBGE captura despesas administrativas das empresas brasileiras de serviços. O intervalo de 1% a 3% é a referência global; variáveis brasileiras como câmbio, logística e nível de consolidação tendem a empurrar empresas locais para o topo do intervalo.

Referências

  1. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
  2. Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)
  3. Pesquisa Anual de Serviços — PAS (IBGE)
  4. Gartner — Market Guide for Managed Print Services in the Distributed Workplace
  5. Gartner — Forecast: Enterprise Print Spending, Worldwide
  6. IDC Brasil — Mercado Corporativo de Impressoras
  7. Quocirca — Managed Print Services Landscape
  8. Sebrae — Planilha de Controle de Custos
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Felipe Trindade
Felipe Trindade é engenheiro de produção formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em outsourcing de impressão, GED e gestão de documentos. Possui experiência na implantação de projetos corporativos, com domínio de soluções como NDD Print e SafeQ, além de atuação baseada em normas como ISO 9001 e ISO 14001.
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